quarta-feira, 22 de julho de 2015

Conversa(s) de fim de tarde

A mulher olhou em frente, com olhos de melancolia e uma expressão leve de riso e perguntou quem vai amar as minhas rugas? E disse que isso a perseguia, em tempos antigos, agora menos presentes. E continuou, ensaiando a resposta e o sentimento, perante o silêncio de quem ouvia. Só pode amar as minhas rugas quem esteve comigo e as viu aparecer, de mansinho...quem as viu tomarem forma e jeito...

http://www.geocities.ws/edinasikora/quadro22__Menino_do_girassol.jpgNa sua frente outra mulher estremeceu e maravilhou-se com as palavras, essas mesmo que já tinha experimentado, ainda que apenas em forma de lágrimas furtivas, algumas imagens desfocadas, pequenas dores depressa escondidas.
E disse alto, sem pudor e sem rodeios, que bonito, é isso mesmo...quem vai amar as minhas rugas? Como se tivesse encontrado o mote para uma liberdade desejada, caminho aberto a outras tantas palavras. E elas vieram, em tom de confidência e narrativa, absolutamente inteiras, lançando luz sobre o fim de tarde que na esplanada, antecedia o cair da noite.

Quando as estrelas se firmaram no céu escuro, as palavras já tinham sido leito macio para adormecer passados. Inconclusivas, tinham configurado medos e multiplicado sentidos, aqueles que andam de mãos dadas com a (re)criação da vida.

 Porque ela também assim se faz, em pequenas palestras de coração livre, sem censura do politicamente correto, junto a amigas do peito. Sem questões de género? Quero acreditar que sim.
 
 

3 comentários:

  1. Admiro a tua genica. Como é que no fim do ano lectivo, depois do convívio do MEM, com calor ainda nos consegues encantar com as tuas palavras.

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    1. Bem, Ana, escrever descontrai-me e alivia o meu coração e a cabeça...mas eu já tinha escrito o texto no dia anterior...bjs

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